Sexta-feira

Sozinho n. 10(0)

Minha lista com os 100 melhores filmes que já vi...

A relação tem início com três viagens. A primeira à Lua, feita em 1902, a segunda a uma zona mística, proibida à população, essa foi realizada em 1979 e, por último, a viagem interior, a construção de uma narrativa, feita em 1961. Essas três viagens estão separadas por praticamente um século de filmes e não é por acaso que ocupam o topo da minha lista. Selecionei outros 97 dos melhores que tive o prazer de assistir, mas muitos, muitos, muitos filmes bons ficaram fora dela. E é bom frisar que essa é uma lista orgânica, filmes entram... filmes saem... Por exemplo, recentemente entraram para os 100 Melhores: "Ano Passado em Marienbad", "O Atalante", "Gran Torino", "Coisas que você pode dizer só de olhar para ela", "A malvada", "Rocco e seus irmãos" e "A felicidade não se compra", para isso, acabaram saindo, com muito pesar, "Donnie Darko", "Pixote: A Lei do Mais Fraco", "Imensidão Azul", "Seabiscuit - Alma de herói", "Terra de sonhos", "Laços de ternura", "As Horas" e " Sideways - Entre umas e outras". Na verdade espremer 100 filmes em uma lista sempre é motivo para disputas e lobys de todos os lados. No fim, sobram apenas os melhores. Confira.

("Viagem à Lua", um dos primeiros filmes feitos e, para mim,
o melhor filme de todos os tempos)


(A viagem proposta por Tarkovski
é tão impressionante quanto à de Méliès.)



(Na terceira viagem da lista, Resnais nos hipnotiza
com sua narrativa circular.)



Os melhores filmes, os "tops of the pops":


País Ano
1 VIAGEM À LUA - Georges Méliès, 1902 *
França 1902
2 STALKER - Andrei Tarkovski, 1979 *
Rússia 1979
3 ANO PASSADO EM MARIENBAD - Alain Resnais, 1961* França 1961
4 O ANJO EXTERMINADOR - Luis Buñuel, 1962 *
México 1962
5 PERSONA - Ingmar Bergman, 1956 * Suécia 1956
6 ROCCO E SEUS IRMÃOS - Luchino Visconti, 1960 * Itália 1960
7 BLOW UP! Michelangelo Antonioni, 1966 *
Inglaterra 1966
8 AMARCORD - Federico Fellini, 1975 *
Itália
1975
9 UM ANJO EM MINHA MESA - Jane Campion, 1989 *
Austrália
1989
10 A ÚLTIMA VIDA NO UNIVERSO - P.E. Ratanaruang, 2003 *
Indonésia
2003

Os que quase chegaram lá:

11 UM GOSTINHO DE MEL - Tony Richardson, 1961
Inglaterra 1961
12 CIDADÃO KANE - Orson Welles, 1941 *
EUA 1941
13 CREPÚSCULO DOS DEUSES - Billy Wilder, 1950 *
EUA 1950
14 O PODEROSO CHEFÃO - Francis Ford Coppola, 1972 * EUA 1972
15 UM LUGAR AO SOL - George Stevens, 1951 *
EUA 1951
16 INTERIORES - Woody Allen, 1974 *
EUA 1974
17 A NOITE AMERICANA - François Truffaut, 1973 *
França 1943
18 CASABLANCA - Michael Curtiz, 1943 *
EUA 1943
19 UM CORPO QUE CAI - Alfred Hitchcockk, 1958 *
EUA
1958
20 AMADEUS - Milos Formam, 1984 *
EUA 1984

Um pouco abaixo, mas muito bons também:

21 VIDAS AMARGAS - Elia Kazan, 1955 *
EUA
1955
22 CIDADE DOS SONHOS - David Lynch, 2001 *
EUA 2001
23 MORTE EM VENEZA - Luchino VIsconti, 1971 França
1971
24 O SOL É PARA TODOS - Robert Mulligan, 1962 *
EUA 1962
25 CASA VAZIA, Ki-duk Kim, 2004 *
Coréia 2004
26 LUA DE PAPEL - Peter Bogdanovich, 1973 *
EUA 1973
27 A CANÇÃO DE BERNADETTE - Henry King, 1943 *
EUA 1943
28 ALMAS EM LEILÃO - Jack Clayton, 1959 EUA 1959
29 CIDADE DE DEUS - Fernando Meirelles, 2002 Brasil 2002
30 UMA ESTRANHA PASSAGEIRA - Irving Rapper, 1942 * EUA 1942

Os melhores filmes para ficar no meio de uma lista de "melhores":

31 ALICE NÃO MORA MAIS AQUI - Martin Scorsese, 1974 EUA 1974
32 A UM PASSO DA ETERNIDADE -F. Zinnermann, 1953 EUA 1953
33 O SÉTIMO SELO - Ingmar Bergman, 1956
Suécia 1956
34 O SILÊNCIO DOS INOCENTES - Jonatahn Demme, 1992 *
EUA 1992
35 DO MUNDO NADA SE LEVA - Frank Capra, 1938 EUA 1938
36 SINDICATO DE LADRÕES - Elia Kazan, 1954 EUA 1954
37 NÃO AMARÁS - Krzysztof Kieslowski, 1988 *
Polônia 1988
38 ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE - G. Stevens, 1956 EUA 1956
39 CENTRAL DO BRASIL - Walter Salles, 1998 Brasil 1998
40 TAXI DRIVER - Martin Scorsese, 1976 EUA 1976
41 MAGNÓLIA - P. T. Anderson, 1999 EUA
1999
42 E O VENTO LEVOU... - Victor Fleming, 1939 * EUA 1939
43 SONHOS - Akira Kurasawa, 1990 Japão 1990
44 TEMPOS MODERNOS - Charles Chaplin, 1936 *
Inglaterra 1936
45 EU ESTIVE EM MARTE - Dani Levy, 1991 Polônia 1991
46 TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA - Arnaldo Jabor, 1973 Brasil 1973
47 UM VIOLINISTA NO TELHADO - Norman Jewison, 1971 *
EUA 1971
48 GRITOS E SUSSURROS - Ingmar Bergman, 1973 Suécia 1973
49 A FELICIDADE NÃO SE COMPRA - Frank Capra, 1946 EUA 1946
50 LAGAAN - Ashutosh Gowariker, 2001 *
Índia 2001

Filmes fantásticos que, no empurra empurra da prateleira, acabaram ficando no fundo:

51 SAPATINHOS VERMELHOS - Emeric Pressburge, 1948 Inglaterra
1948
52 METRÓPOLIS - Fritz Lang, 1926 *
Alemanha 1926
53 A PAIXÃO DE CRISTO - Mel Gibon, 2004 EUA 2004
54 HERÓI - Zhang Yimou, 2005 *
China 2005
55 REBECA, A MULHER INESQUECÍVEL - Hitchcock, 1940 EUA 1940
56 CINEMA PARADISO - Giuseppe Tornatore, 1989 Itália 1989
57 OS GIRASSÓIS DA RÚSSIA - Vitorio De Sica, 1970
Itália 1970
58 O BEIJO DA MULHER ARANHA - Hector Babenco, 1985 Brasil 1985
59 O DESTINO DE AMÉLIE POULIN - J. P. Jeunet, 2001 *
França 2001
60 A FRATERNIDADE É VERMELHA - K. Kieslowski, 1994 Polônia 1994
61 UM ESTRANHO NO NINHO - Milos Forman, 1975 EUA 1975
62 A GUERRA DO FOGO - Jean-Jackes Annaud, 1981 França 1981
63 LA LUNA - Bernardo Bertolucci, 1979
Itália
1979
64 LARANJA MECÂNICA - Stanley Kubrick, 1971 * Inglaterra 1971
65 WAKING LIFE - Richard Linklater, 2001 *
EUA 2001
66 DOUTOR JIVAGO - David Lean, 1965
Inglaterra 1965
67 ESTRANHOS NO PARAÍSO - Jim Jarmusch, 1984* EUA 1984
68 ADEUS, MENINOS - Louis Malle, 1987 *
França 1987
69 A MALVADA - Joseph L. Manckiewicz, 1950 *
EUA 1950
70 O ATALANTE - Jean Vigo, 1934*
França 1934

E os últimos... será que daqui a um tempo eles serão os primeiros?

71 BAGDA CAFÉ - Percy Adlon, 1988 *
Alemanha 1988
72 SHIRLEY VALENTINE - Lewis Gilbert, 1989 *
Inglaterra 1989
73 BABEL - Alejandro G. Iñarritu, 2006 *
México
2006
74 JEZEBEL - William Wyler, 1938 *
EUA 1938
75 AS VINHAS DA IRA - John Ford, 1940 * EUA 1940
76 COISAS QUE VOCÊ PODE DIZER SÓ DE OLHAR PARA ELA - Rodrigo García, 2000 * EUA 2000
77 FALE COM ELA - Pedro Almadovar, 2002 *
Espanha 2002
78 GRAN TORINO - Clint Eastwood, 2008 * EUA 2008
79 A BELA DA TARDE - Luis Buñuel, 1967 *
França 1967
80 AS TRÊS ESTAÇÕES - Tony Bui, 1999 *
Vietnã 1999
81 CARMEN - Carlos Saura, 1983 Espanha 1983
82 TERRA ESTRANGEIRA - Walter Salles, 1996 *
Brasil 1996
83 A NOVIÇA REBELDE - Robert Wise, 1965 EUA 1965
84 AURORA - F. W. Murnau, 1927 Alemanha 1927
85 ANNIE HALL - Woody Allen, 1985
EUA 1985
86 MATRIX - Andy & Larry Wachowsky, 2001 *
EUA 2001
87 HAIR - Milos Forman, 1979 *
EUA 1979
88 SATIRICON - Federico Fellini, 1970 Itália 1970
89 O MÁGICO DE OZ - Victor Fleming, 1939 *
EUA 1939
90 PELLE - O CONQUISTADOR - Bille August, 1988 Suécia 1988
91 AGNES DE DEUS - Norman Jewison, 1985 * EUA 1985
92 DE REPENTE... NO ÚLTIMO VERÃO - J. Mankiewicz 1959 EUA 1959
93 MINHA VIDA DE CACHORRO - Lasse Hallström, 1987 *
Finlândia 1987
94 HIROSHIMA, MEU AMOR - Alain Resnais, 1959 França 1959
95 BLADE RUNNER - Ridley Scott, 1982 *
EUA 1982
96 A COR PÚRPURA - Steven Spielberg, 1985
EUA
1985
97 PERDIDOS NA TORMENTA - Fred Zinnermann, 1948 *
EUA 1948
98 O TIGRE E O DRAGÃO - Ang Lee, 2000 China 2000
99 A VIAGEM DE CHIHIRO - Mayao Miyazaki, 2001 *
Japão 2001
100 O CLUBE DA LUTA - David Fincher, 1998 * EUA 1998

p.s.: É bom lembrar que essa lista é composta apenas por filmes que assisti. Os filmes marcados com asterisco eu já tenho, e se eu já tenho, porque você também não pode ter?

Sozinho Com Todo Mundo

a carne cobre o osso
e eles colocam uma mente
ali dentro e
algumas vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra a parede
e os homens bebem
demais
e ninguem acha o
escolhido
mas continuam
procurando
rastejando pra dentro e pra fora
das camas.
carne cobre
o osso e
carne procura
por mais que
carne.
não há chance
alguma:
nós estamos todos presos
por um destino
singular.
ninguem nunca encontra
o escolhido.
os esgotos da cidade enchem
os ferros-velhos enchem
os hospícios enchem
os hospitais enchem
os cemitérios enchem
nada mais
enche.
Charles Bukowski
(O amor é um cão dos diabos)

Sou eu

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,

Espécie de acessório ou sobressalente próprio,

Arredores irregulares da minha emoção sincera,

Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.

Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.

Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.


E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,

Como de um sonho formado sobre realidades mistas,

De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,

Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.


E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,

Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,

De haver melhor em mim do que eu.


Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,

Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,

De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,

De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,

De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.


Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,

Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,

De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —

A impressão de pão com manteiga e brinquedos

De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,

De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,

Num ver chover com som lá fora

E não as lágrimas mortas de custar a engolir.


Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,

O emissário sem carta nem credenciais,

O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,

A quem tinem as campainhas da cabeça

Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.


Sou eu mesmo, a charada sincopada

Que ninguém da roda decifra nos serões de província.


Sou eu mesmo, que remédio! ...

Fernando Pessoa

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?


Ferreira Gullar 

(Na Vertigem do Dia)

Biografia do Orvalho - 11

A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
Manoel de Barros
(Retrato do artista quando coisa)

(sem título)

fez por ali um altar do corpo;
meia lua de unha, primeiro dente-de-leite,
pentelhama de diferentes damas, foi juntando,

e amor não veio

desaprendeu do querer alguns ritos
botar a mão no fogo sem saber que queima
chorar o leite derramado sem ter se fartado
desejar jamais jamais jamais a mulher do próximo

e amor não veio

viciando os passos aos becos e embrutecendo as mãos
encomendou o desejo e pagou em muitas prestações
de noites insones, de nó na garganta, de tranquilizantes

e o amor não veio

Derivou de delírio em delírio,
corrompeu-se,
perdeu-se,
danou-se,

e o amor o desprezou como a lua solene
ao cão louco que uiva e perambula
sem um osso qualquer que lhe contente

e por fim

depois de ter vencido furioso
o lobo que lhe habitava em segredo
rendeu-se a uns afagos sem mistério
de um outro que também estava em desterro

descuidado de amar e do amor
e de toda a embriaguez que fere a carne
ergueu em suspensões de intensa altura
o espírito em chama pura libertado

Assionara Sousa

Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus,

pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.


O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.

 

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus,

se sabias que eu era fraco.

 

Mundo mundo vasto mundo

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.


Carlos Drummond de Andrade

(Alguma poesia)

XIX

Não tem mais lar o que mora em tudo.

Não há mais dádivas

Para o que não tem mãos.

Não há mundos nem caminhos

Para o que é maior que os caminhos

E os mundos.

Não há mais nada além de ti.

Porque te dispersaste...

Circulas em todas as vidas

Pairas sobre todas as coisas

E todos te sentem

Sentem-te como a si mesmos

E não sabem falar de ti.


Cecília Meireles

(Cânticos)

Prelúdio II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.

O fundo sortilégio da omoplata.

Matéria-menina a tua fronte e eu

Madurez, ausência nos teus claros

Guardados.


Ai, ai de mim. Enquanto caminhas

Em lúcida altivez, eu já sou o passado.

Esta fronte que é minha, prodigiosa

De núpcias e caminho

É tão diversa da tua fronte descuidada.


Tateio. E a um só tempo vivo

E vou morrendo. Entre terra e água

Meu existir anfíbio. Passeia

Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:

Noturno girassol. Rama secreta.


Hilda Hilst

(Memória, júbilo, noviciado da paixão)

O poeta ficou cansado

Pois não quero mais ser Teu arauto.

Já que todos têm voz,

porque só eu devo tomar navios

de rota que não escolhi?

Porque não gritas, Tu mesmo,

a miraculosa trama dos teares

já que a tua voz reboe

nos quatro cantos do mundo?

Tudo progrediu na terra

e insistes em caixeiros viajantes

de porta em porta, a cavalo!

Olha aqui, cidadão,

repara, minha senhora,

neste canivete mágico:

corta, saca, fura

é um faqueiro completo!

Ó Deus,

me deixa trabalhar na cozinha,

nem vendedor nem escrivão

me dixa fazer Teu pão.

Filha, diz-me o Senhor,

eu só como palavras


Adélia Prado

(Oráculos de Maio)