18/11/2009
Sozinho n. 97
Mais um excelente artigo de Olavo de Carvalho.
Há anos penso em escrever um livro com o título ou subtítulo de Logica Brasiliensis, recenseando os modelos de argumentação mais em voga nas discussões de mídia neste país e mostrando como são, quase que invariavelmente, puras confusões mentais que adquiriram credibilidade de argumentos pela repetição obsessiva e por nada mais.
Para ler na íntegra, clique aqui.
10/11/2009
Sozinho n. 96

Bom, já tive a chance de ir algumas vezes ao gigante IMAX que temos aqui em Curitiba. É como nos descobrirmos com 7 anos novamente, gritando numa montanha russa, simples assim. Dá vontade de morar naquele cinema!! Para um comparativo sobre as dimensões, basta dizer que, se eu ficar parado em frente à tela, representada aqui pela imagem acima, fico do tamanho da letra "I" da palavra IMAX.
Passado algum tempo e alguns filmes... e por mais que seja superincrivelmentedivertido, acaba surgindo o grande monstro hollywoodiano: o roteiro! E com o mais recente filme de Robert Zemeckis (por quem guardo profunda simpatia) "Os Fantasmas de Scrooge" essa questão é arremessada ao público muito mais que o pobre Scrooge (que deve ser o personagem que mais despencou das alturas em toda a história do cinema).
Por se tratar da enésima adaptação do clássico "Contos de Natal" de Charles Dickens, e por conta das possibilidades técnicas à disposição do inventivo diretor, esperava-se algo mais do roteiro, mas o que vemos a pular o tempo todo para fora da tela é, na verdade, a pior das adaptações dos contos de Dickens. Uma lástima ver tanto recurso, tanto efeito, tanta cor, toda aquela belíssima ambientação cumprindo um desserviço ao belo original.
Saí do IMAX decepcionado (pela primeira vez). Só as ferragens da montanha russa (que custou à Disney uns poucos 175 milhões de dólares) já não bastam para um menino curioso.
28/10/2009
Sozinho n. 95

Finalmente vi dois bons filmes esse ano! Deixe ela entrar e Aquele querido mês de agosto. O primeiro, sueco e o outro, português. Ambos guardam um certo ar retrô no jeito de fazer cinema. Deixe ela entrar carrega consigo o fantasma de Bergman (o grande diretor sueco), enquanto que Aquele querido mês de agosto nos remete aos filmes de Fellini.
O terror sueco pegou o mundo de calças curtas e vem ganhando todos os festivais dos quais participa (acumula mais de 60 prêmios) e é por puro mérito. O diretor Tomas Alfredson desfila gêneros com classe em sua película.
Já o português Miguel Gomes constrói uma obra, se não original, ao menos refrescante no atual panorama do cinema, tendo como o grande destaque a captação de som, motivo que gera uma interessante discussão próxima aos créditos finais do filme.
Está mesmo na hora das boas obras de 2009 darem as caras. E, para os amigos do torrent, vale lembrar que ótimos títulos já estão saindo em DVD nos States, ou seja, logo logo disponíveis para download, como "Away we go" (do diretor San Mendes) e "Sunshine Cleaning" (dos realizadores de Pequena Miss Sunshine).
27/10/2009
Sozinho n. 94
Estava pensando em como nasce cada um desses discos... A a coisa toda começa geralmente com uma música (e geralmente é ela quem abre o álbum). Aqui no volume 24 eu queria o B-52's, porque eles não tinham aberto nenhum disco ainda (apesar das cinco participações anteriores). Ouvi, ouvi, ouvi e, cheio de dúvidas, optei por "Pump", por ser ela quem abre o disco Funplex. Então comecei a construção da teia que, um mês depois, transformou-se nesse Masterpieces Series volume 24.
O Primal Scream foi escolha óbvia, mas o casamento a seguir entre as estréias no disco de Mutemath e Mando Diao foi uma surpresa. Pude continuar em alta e inserir The Cult, Bad Religion e Ramones - esses dois também estreando na coleção.
Logo depois vem minha "turma de sempre", uma sequência de bandas que anda aparecendo direto nas últimas edições (Klaxons, Vampire Weekend, Fleet Foxes, Friendly Fires, TV on a Radio, Kings of Leon).
No decorrer do disco o clima foi amenizando até ficar susse de vez com Goldfrapp, Cornershop, Mira Billotte, Eddie Vedder e Jamie Cullum, esses últimos entrando no Masterpieces pela primeira vez.
No geral, um disco de alto astral, pra ouvir no chuveiro (eu ouço!!) :-P

22/10/2009
Sozinho n. 93
Sei que já falei isso antes, mas não custa repetir: esse blog está com seus dias contados, ou melhor, seus posts! Faltam oito (ops, sete agora!) postagens para o fim.
Sim, porque minha nova casa, com internet 3G renovada, clama por um novo blog...
Um blog novo... .... onde a tchiurma possa dar os parpite?
É o que fala aí o bão e véio Nerdson:
16/10/2009
Sozinho n. 92

«No dia três de Dezembro o vento mudou durante a noite e o Inverno chegou.
[...]
Olhou para o mar e observou os vagalhões de crista branca e corpo verde. [...]
E então viu-as. As gaivotas. Lá longe, cavalgando as ondas. O que inicialmente pensara que eram os topos brancos das ondas eram gaivotas. Centenas, milhares, dezenas de milhares... Subiam e logo tombavam na cava das ondas, dando as cabeças ao vento, como uma poderosa frota ancorada, à espera da maré. [...]
Dezenas de milhares de gaivotas cavalgando o mar ali na baía, devido à tempestade, devido à fome.
[...]
Os pássaros mais pequenos estavam agora a atacar a janela. [...]
Os falcões ignoravam as janelas. Concentravam o seu ataque na porta. Nat ouvia o som cortante da madeira lascada, e perguntava-se quantos milhões de anos de memória estavam armazenados naqueles pequeninos cérebros, por trás dos bicos perfurantes e dos olhos penetrantes, para lhes darem agora aquele instinto de destruir a humanidade com toda a eficiente precisão das máquinas.»
Daphne du Maurier, "Os Pássaros" em: Os Pássaros e Outros Contos Macabros.
15/10/2009
Sozinho n. 91

Mês que vem estreia Lua Nova (primeira das três sequências do sucesso Crepúsculo). Pelo trailer, parece que a produção será mais cuidadosa, com efeitos melhores (ponto fraco do filme anterior). E também não custa torcer por um bom roteiro, porque o "sem pé nem cabeça" de Crepúsculo foi difícil de engolir.
De qualquer maneira, o primeiro produto divulgado da sequência foi sua trilha sonora. E que surpresa! Temos o sofisticado Alexandre Desplat como autor dos temas instrumentais. Sempre impecável, o compositor fecha o álbum com uma faixa delicada, ao piano, que leva o nome do filme.
De resto, uma seleção muito bem cuidada de temas depressivos e escuros que deve ajudar no clima do filme. Entre os destaques, que não são poucos, está "Hearing Demage" do vocalista do Radiohead, Thom Yorke e "Rosyln" do inventido Bon Iver. "Monster" do Hurricane Bells foi a melhor surpresa. Não conhecia a banda, e estou gostando. Mais sobre eles em: myspace - Hurricane Bells.
Como já disse, o álbum funciona muito bem em seu conjunto e vale ser ouvido. Para ter uma experiência free (e na íntegra!) basta acessar: myspace - Twilight Saga.

1. Death Cab for Cutie - ”Meet Me On The Equinox”
2. Band of Skulls - ”Friends”
3. Thom Yorke - ”Hearing Damage”
4. Lykke Li - ”Possibility”
5. The Killers - ”A White Demon Love Song”
6. Anya Marina - ”Satellite Heart”
7. Muse - ”I Belong To You (’New Moon’ Remix)”
8. Bon Iver & St. Vincent - ”Roslyn”
9. Black Rebel Motorcycle Club - ”Done All Wrong”
10. Hurricane Bells - ”Monsters”
11. Sea Wolf - ”The Violet Hour”
12. OK Go - ”Shooting the Moon”
13. Grizzly Bear - ”Slow Life”
14. Editors - ”No Sound But the Wind”
15. Alexandre Desplat - ”New Moon (The Meadow)”
13/10/2009
Sozinho n. 90
Quando o nível de trabalho anda baixo, nada nos resta além de inventar bobagens. Para quem gosta, fiz um wallpaper. Já havia criado outros antes, mas este é o primeiro em que parto do zero, sem nenhuma imagem. Escolhi as formas, cores e efeitos. O trabalho resultou suave, e gostei...

08/10/2009
Sozinho n. 89
A imagem e o trecho publicados no post anterior me fizeram refletir sobre o mar e, consequentemente, sobre minha infância, muito ligada a ele. O resultado está no poema "Licoroso Deserto", inserido no belo quadro de Friedrich. Para ler, basta clicar.
Sozinho n. 88

— Quando pela primeira vez embarquei neste navio — continuou, depois de algum tempo —nunca tinha visto o mar. Muitas outras coisas vira: demasiadas. Vira gente: gente em demasia. Mas nunca o mar. Por isso jamais compreendera nada, nunca entendera coisa alguma. Como se poderá compreender algo da vida… compreender e penetrar nas pessoas e nas suas vidas… antes de aprender do mar? como ver através de suas lutas e vazias ambições estranhas, enquanto não olharmos para o mar, que é ilimitado e suficiente em si mesmo? Enquanto não aprendermos a pensar como o mar e não como essas criaturas inquietas que se imaginam a caminho de algum lugar e têm essa viagem pela coisa sobre todas importante, e para as quais seu termo é o significado e o propósito da vida. Enquanto não aprendermos a deixar-nos levar pelo mar, a render-nos totalmente a ele, e a cessar de atormentar-nos por causa da justiça e da injustiça, da verdade e do erro, do bem e do mal, por causa da salvação, da graça e da condenação eterna, por causa do diabo e de deus e suas estúpidas contendas. Enquanto não nos tornarmos tão indiferentes e livres como o mar e não nos deixarmos levar, sem destino, para o desconhecido, totalmente entregues ao desconhecido: à incerteza como a única certeza, única coisa realmente digna de confiança depois que tudo foi dito e feito. Enquanto não aprendermos tudo isso.
Pär Lagerkvist
(Roubado do blog do Magoo)
05/10/2009
Mercedes Sosa (1935 - 2009)

Gracias A La Vida
(Violeta Parra)
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida, gracias a la vida
"Mercedes Soza era a minha Nossa Senhora musical, e não apenas minha. Aquelas multidões fervorosas em Buenos Aires, em Porto... A construção da minha latinidade passa, necessariamente, por ela. Foi uma grande artista e, não por acaso, artistas viscerais, como Elis e Milton Nascimento se ligaram em Mercedes, que carregava, na alma e na voz, a dor dos nativos de Latino América, que padeceram séculos de escravidão e submissão colonial."
Luiz Carlos Merten
23/09/2009
Sozinho n. 87
Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ...
14/09/2009
Sozinho n. 86
O Volume 23 continua com o tom meio folk do disco anterior, apresentando Kimya Dawson com "Tire Swing" e The Velvet Underground com "I’m Sticking With You" ambas da trilha sonora do filme Juno. Outros destaques para: Lily Allen como o hit do momento "Not Fair", Goldfrapp com "Caravan Girl" e as novas canções de Moby, "Pale Horses", e Chris Isaak, "Summer Holiday".
Por falta de tempo (e um pouco de preguiça) ainda não produzi a capa do disco... E, claro, nada de downloads para o momento.

Tracklist:
1. Kimya Dawson - Tire Swing
2. The Velvet Underground - I'm Sticking With You
3. The Five Americans - Western Union
4. Belle & Sebastian - Roy Walker
5. Hot Chip - Wrestlers
6. Paolo Nutini - New Shoes
7. Lily Allen - Not Fair
8. Goldfrapp - Caravan Girl
9. Dragonette - Gold Rush
10. Pnau - Embrace
11. Empire Of The Sun - Walking On A Dream
12. Klaxons - Golden Skans
13. Radiohead - I Might Be Wrong
14. Elizabeth Fraser & Robert Wyatt - At Last I Am Free
15. Moby - Pale Horses
16. Antimatter - Another Face In A WIndow
17. Red House Painters - Have You Forgotten
18. Chris Isaak - Summer Holiday
19. Kings Of Leon - Notion
20. The Psychedelic Furs - Heaven
21. Transvision Vamp - Tell That Girl to Shut Up
03/09/2009
Sozinho n. 85

Cinema é tudo. É minha cabeça, é como funciona meu cérebro. Sou todo cortado por pequenos fotogramas, qualquer história, música, lembrança é imediatamente enriquecida com alguma passagem de algum filme.
Tudo que acontece ao meu redor vira esse grande filme no qual estou vivendo, ininterrupto e bruto. Por isso gosto tanto de "A Noite Americana" do François Truffaut e de "Obrigado à Vida" de Bertrand Blier.
Minha vida é aquilo, é isso, ainda que não tenha uma câmera na mão o tempo todo, tenho uma na mente e meus olhos vão filtrando tudo, enquadrando, construindo as cenas, os cenários.
A maneira como observo a paisagem, do lado de fora, é a mesma de Gus Van Sant em "Paranoid Park" e também, do lado de dentro, é como o pequeno Julian em "Adeus Meninos" (foto) de Lous Malle. O jeito dele, o tempo dele que é o tempo e o jeito de Malle, também é o meu.
E eu vou vivendo assim, sem filmar nada, mas sem perder nada, sem esquecer...
Um dia, quem sabe, talvez brote uma pérola...
27/08/2009
Sozinho n. 84
"(...) Viajo Curitiba dos conquistadores de coco e bengalinha na esquina da Escola Normal; do Jegue, que é o maior pidão e nada não ganha (a mãe aflita suplica pelo jornal: Não dê dinheiro ao Gigi); com as filas de ônibus, às seis da tarde, ao crepúsculo você e eu somos dois rufiões de François Villon. Curitiba, não a da Academia Paranaense de Letras, com seus trezentos milhões de imortais, mas a dos bailes no 14, que é a Sociedade Operária Internacional Beneficente O 14 De Janeiro; das meninas de subúrbio pálidas, pálidas que envelhecem de pé no balcão, mais gostariam de chupar bala Zequinha e bater palmas ao palhaço Chic-Chic; dos Chás de Engenharia, onde as donzelas aprendem de tudo, menos a tomar chá; das normalistas de gravatinha que nos verdes mares bravios são as naus Santa Maria, Pinta e Nina, viajo que me viaja. Curitiba das ruas de barro com mil e uma janeleiras e seus gatinhos brancos de fita encarnada no pescoço; da zona da Estação em que à noite um povo ergue a pedra do túmulo, bebe amor no prostíbulo e se envenena com dor-de-cotovelo; a Curitiba dos cafetões - com seu rei Candinho - e da sociedade secreta dos Tulipas Negras eu viajo. Não a do Museu Paranaense com o esqueleto do Pithecanthropus Erectus, mas do Templo das Musas, com os versos dourados de Pitágoras, desde o Sócrates II até os Sócrates III, IV e V; do expresso de Xangai que apita na estação, último trenzinho da Revolução de 30, Curitiba que me viaja. (...)" Dalton Trevisan





As imagens vieram daqui.
E o texto de Dalton Trevisan, daqui.