08/07/2009
Sozinho n. 73
Bom, aqui nas páginas do meu diário, me pergunto sobre qual a finalidade de um blog. Será que existe, hoje em dia, algum tipo de propósito específico para um blog? Penso que não. Serve pra tudo. É o nosso bombril virtual.
Alguns o usam para discutir, conversar, trocar ideias, outros fazem dele instrumento de propaganda, de defesa, de ataque, de informação... Mas tem aqueles que usam esse mecanismo como o Capitão Kirk também usava lá nos anos 60 (do futuro), um diário estelar. É assim que vejo meu blog, um diário estelar todo particular.
E assim o James T. Kirk aqui vai narrando (em terceira pessoa, sempre que possível) coisas que ele encontra pelo caminho e que brilham, à sua maneira, como pequenas estrelas.
E só tenho a agradecer aos amigos do espeço neural que acompanham e repassam esse mapa adiante. Em especial: Maikon, Nara, Ge e Edu. É... seu Eduardo, você também, que nem conheço e já é meu irmão (distante, mas só dos olhos). E, claro, a todas as pessoas que caem aqui vindas de vários planetas e o Google, nosso Darth Vader do bem (se é que isso existe) me permite saber que vocês são centenas (com milhares de visitas) e até o local de onde orbitam. Obrigado por passarem por aqui de quando em quando. E obrigado por entenderem a ausência de comentários nesse blog. E para os que não entendem, fica o exercício: "porque não posso dar minha opinião aqui?". Obrigado. Obrigado. Obrigado.
Modestamente, espero sempre poder contribuir com algo para as pessoas, porque sempre tento contribuir com algo para mim mesmo. E não enganar a si próprio já é um bom começo.
Como escreveu Pessoa:
"Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
30/06/2009
Sozinho n. 72
Bom, aconteceu que domingo estava de cama curando a ressaca do velho e bom sábado à noite e aproveitei o dia amarrado para assistir, ali no computador mesmo, a “How to Be” filme de Oliver Irving (sua estréia) com o ainda pouco conhecido Robert Pattinson (hoje eleito o ator mais bonito do mundo – como, eu não sei??!!!). Deitado, no escurinho, dia ruim, filme calmo... lógico que dormi... Como estava no PC, o filme começou de novo e eu acordei... e dormi de novo... E assim passamos a tarde toda, eu e “How to Be”.
O interessante é que em uma das vezes que cochilei eu sonhei com meu novo apartamento (que estou comprando por esses dias), estava dando uma festa de inauguração. Num determinado momento, fui até a sala e retirei da estante uma fita K7 com musicas especiais e coloquei para todos uma canção que adoro, “Hammond Song” do The Roches. Até aí tudo bem... A festa transcorreu da melhor maneira possível, todo mundo ouvindo as músicas, tomando drinks especiais, conversando e curtindo a decoração de balões vermelhos. O bizarro da história é que nunca tinha ouvido falar em The Roches, nem sabia da existência dessa banda. Depois, mais a noite, quando assisti ao filme de fato, fiquei surpreso com as várias passagens que entraram em meu sonho, particularmente, “Hammond Song”.
Foi sonhando que conheci The Roches. É possível não se apaixonar?
Sozinho n. 71
Gus Van Sant é dos diretores estadunidenses contemporâneos o que tem a filmografia mais sólida e criativa. Confira a ótima análise para o filme "Paranoid Park" feita por Bernardo Krivochein, um crítico-não-crítico que sempre consegue agregar valores aos filmes que resenha. Outros textos dele você pode encontrar no site zetafilmes.
PARANOID PARK de Gus Van Sant - 15/10/07
Remete-nos a "Drugstore Cowboy" e, quem sabe, "Paranoid Park" seja o primeiro grande filme 100% Gus Van Sant desde então.
Bernardo Krivochein (Rio)
Como sentisse a necessidade de justificar a ousadia de maltratá-lo com sua caligrafia pobre, Alex (Gabe Nevins) diz para o próprio papel: "Mas eu nunca fui muito bom em redação." Custará, portanto, a vida de um homem para que Alex seja motivado a exercitar seu discurso, não aquele calcado na gramática miguxa onde vogais ausentes agilizam a compreensão, mas acusam o esvaziamento emocional das palavras e dos indivíduos que as cometem; o discurso de Alex é simples, sim, e ele cobra de si mesmo um rebuscamento maior. Tão instigante quanto o que fez Alex recorrer à linguagem escrita é tentar identificar os motivos que o levaram a praticamente abandonar a comunicação verbal de uma vez por todas. Desinteresse? Crítica negativa de professores e superiores (que tolhem os estudantes com a imposição de seus parâmetros cafonas de bom gosto)? Arcaicidade do verbo na cultura pop vigente?
Não é porque Alex se baseia num evento real de sua vida - o assassínio acidental de um segurança ferroviário - que sua escrita deixa de ser criativa. A estrutura temporal se rompe, se antecipa, se reavalia e se reprisa, considerando o que acabou de ser escrito. E se reescreve. E descreve o ato de escrever como parte integrada à ação que o motivara a se expressar inicialmente. Ele não recorre ao computador (eles sequer se fazem presentes na tela), mas ao velho papel e lápis. Arcaico. É um ato de intimidade, a escrita. Um ato de morte. Expressar-se é enterrar os erros no passado. Descritos precipitadamente no relato de Alex, os eventos que levam à morte do segurança são curiosamente expostos no coração do tempo de duração do longa-metragem, mas o que se acredita por muito tempo ser o evento principal em torno do qual orbita toda a razão de ser do filme, não o é. Os elementos derivam cada vez mais distantes de sua faísca original. Alex subconscientemente arquiteta o conteúdo limitado de seu relato para que ele se repita/renove em três arcos de funcionalidade diferenciada: sugestão (Alex indubitavelmente matou, mas deixe-o explicar); descrição (Alex repete os eventos mais detalhadamente e finalmente confessa sua previsível culpa), e justificação - mas não do crime que, como lembramos, foi acidental. Alex justifica aos pais, amigos, à ex-namorada, ao detetive e ao papel sua repentina mudança de comportamento, o que ele percebe como algo muito mais essencial, mais digno de expressão. Não há muito o que se dizer da morte - o homem morreu e pronto. Somente a vida justifica os livros serem tão grossos e as sentenças serem tão longas. O que o papel quer saber é porque Alex o desconsiderou como amigo por tanto tempo. Menos um "Moi, Pierre Rivière, ayant egorgé ma mère...", abordado em "Retour en Normandie" e ainda menos um "Alpha Dog" (pois não existe real malícia nos personagens, muito menos a concepção de serem adultos sem a inconveniência da idade), as fundações de "Paranoid Park" são o seu motivo central, ao contrário de seu evento espetacular, o assassinato: em questão está o nascimento da narrativa pessoal, não por estilizações vaidosas, mas pela necessidade bruta do desejo de expressar-se.
Mas como e o que é escrever criativamente? Gus Van Sant está arriscando em câmera o que seu personagem principal está arriscando com o lápis. Após redescobrir um cinema sensualista que deve tanto a Béla Tarr quanto a Terrence Malick com a série "Gerry" - "Elefante" - "Os Últimos Dias", filmes que procuravam a própria personalidade ao mesmo tempo que mantinham as referências evidentes (fase autoreferenciada aqui claramente na cena em que o irmão menor de Alex descreve, ao seu próprio estilo, um momento de "Napoleon Dynamite") Van Sant colhe da experiência apenas o que é realmente seu. As trocas de film stocks, de diretores de fotografia, de ritmos e de trilha-sonora (onde a experimentação se faz mais evidente: genial mistura de sons eletrônicos experimentais, sonoplastia fora de contexto, samples e fanfarras originais de outros filmes) fazem da busca a própria assinatura, por sua pluralidade e pelo efeito diferenciado. Remete-nos a "Drugstore Cowboy" e, quem sabe, "Paranoid Park" seja o primeiro grande filme 100% Gus Van Sant desde então. Vários textos sobre o filme admitem o objetivo do experimentalismo visual e sonoro como formas de capturar em texturas os diferentes ritmos e sensações da adolescência e, enquanto isso pode ser verdade, não interpretei como tal. Ali estava o diretor imprimindo um som ou uma imagem qualquer que tentasse expressar, qualquer que fosse, o sentimento que a inexpressividade de Alex insistia em manter escondida; sua esfinge.
Há esse voto de confiança extremo que Gus Van Sant firma com Gabe Nevins, ator escalado para o filme através do MySpace: ele insiste em acreditar que a impassividade emocional do personagem não passa de fachada, que sua indiferença e frieza são apenas aparência, técnicas de sobrevivência. É uma idealização de papa-anjo, Van Sant é uma espécie de Larry Clark com um pouco mais de pudor a não manjar rôla de seus atores mirins, mas ele certamente adora assistir Nevins sem camisa e, em termos de erotização, poucas vezes tivemos abordagens visuais tão bonitas de menores skatistas no chuveiro (para ser completamente justo, a cena da primeira relação sexual entre Alex e Jennifer - Taylor Momsen, perfeita como a adolescente egocêntrica e fútil - na qual a câmera simplesmente capta o sol através do cabelo da menina, é algo de espetacular). Existem ainda algumas sutis referências a uma possível homossexualidade do personagem, dada o longo plano no qual o melhor amigo Jared (Jake Miller) fita diretamente a câmera (em POV) em slow motion - a homossexualidade jovem (adulta ou pubescente) é algo que Van Sant insiste em apresentar desde "Elefante" e "Last Days", suspeito que no intuito de naturalizá-la, mas sempre conseguindo o estranho efeito de fazê-la motivo para justificar os atos dos personagens, sejam eles escabrosos ou maliciosos. Mas Alex e/ou Nevins (e neste ponto, o casting é oportuno a fazê-los confundirem-se) já investem tanto tempo com as aparências que as emoções deformaram-se a torná-las reais. Por isso, o filme se arrasta, se alonga, se repete, entedia-se. Alex também está aborrecido a ponto de que já não pode mais ser abalado em sua indiferença. Nós também. Ao mesmo tempo em que ele reconhece o ambiente sob o qual foi criado como não ideal, agora que se encontrou uma espécie de conforto, o esforço de transformação convergiu-se em esforço de preservação a todo custo.
Só existem três personagens adultos que se fazem claramente visíveis durante todo o filme: o detetive Lu, o segurança assassinado e o pai de Alex, todos os três figuras masculinas repressoras, autoritárias. Outros personagens adultos estão lá (inclusive o diretor de fotografia Christopher Doyle, como o tio Tommy, e o próprio Gus Van Sant, se fazendo presente nas imagens ainda que reduzido a uma figuração desfocada como um cliente de um café), assim como estão abajures, poltronas e mesas. O único que exerce autoridade real, o guarda, acaba assassinado. Subúrbio americano é Terra do Nunca onde ninguém tem voz de comando sobre os jovens, que constroem elaborados parques de skate sem que ninguém venha interferir, impedir, fazer cobranças - é com a maior estranheza do mundo que os jovens skatistas do colégio vêem a presença do detetive, que pede para colaborar com as investigações do assassinato. Por que é que, após anos de uma negligência com a qual os adolescentes aprenderam a se adaptar sem muita resistência, os adultos estão querendo mostrar serviço, assim de repente?
Percebendo que, por mais que reescreva e reestruture a narrativa, não conseguirá transformar favoravelmente os fatos, Alex simplesmente desiste. Em Paranoid Park, um triplo homicídio: Alex assassina o homem, a educação como redentora social (não foi a falta de educação que o levou a matar; não foi a educação que solucionou seus problemas) e, nas cenas finais, o próprio papel no qual escrevera sua confissão. "Eu preciso explicar", diz ele apenas para enfrentar o dilema que ele mesmo acabara de se estabelecer: como explicar acidentes? E para quê? De que serve a qualquer um uma justificativa redonda, lógica, apenas para saciar o desejo público de conclusões e arquivamentos? O que Alex explica então é seu processo de transformação. Criado para ser frio e distante, só lhe resta comentar aquele breve momento em que, hesitante, se permitiu abalar pelo mínimo e fugaz sentimento de remorso; verbete que define exatamente em seu caderno, mas que se ausenta de seu vocabulário.
"Paranoid Park" EUA/França, 2007.Direção: Gus Van Sant. Estrelando: Gabe Nevins, Daniel Lu, Jake Miller, Taylor Momsen, Lauren McKinney, Scott Green, Winfield Jackson. Distribuidora: MK2. Site oficial:http://www.paranoidpark-lefilm.com/
25/06/2009
Melhores da Semana
Curiosidade: para ter uma experiência semelhante ao que Marcelo Camelo produz com sua Orquestra Youtube, acione todos os vídeos ao mesmo tempo. Serão quatro minutos interessantes...
Semana de 07 a 13 de julho de 2009:
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Semana de 30 de junho a 06 de julho de 2009:
1. (2) Bob Dylan - Beyond Here Lies Nothin'
2. (N) Elliott Smith - Angeles
3. (1) Dido - Don't Believe In Love
4. (N) Tracy Chapman – Sing for You
5. (5) Just Jack - Starz In Their Eyes
Semana de 23 a 29 de junho de 2009:
1. (N) Dido - Don't Believe In Love
2. (4) Bob Dylan - Beyond Here Lies Nothin'
3. (N) Jeff Duff - Take A Walk On The Wildside
4. (3) Creature - Pop Culture
5. (N) Just Jack - Starz In Their Eyes
Semana de 15 a 22 de junho de 2009:
1. Lilly Allen - Not Fair
2. Creature - Pop Culture
3. Peaches - Talk To Me
4. Bob Dylan - Beyond Here Lies Nothin'
5. Lenny Kravitz - Dancin' Til Dawn
23/06/2009
15/06/2009
10/06/2009
Sozinho n. 68
Uma galera no You Tube empenhada em provar que ainda existe criatividade nesse mundo, criou várias versões de clipes para a música "Harder, Better, Faster, Stronger" do Daft Punk. Escolhi três. Todas geniais. Haja sincronia!!
Video 1
Vídeo 2
Vídeo 3
08/06/2009
Sozinho n. 67
Então... Dê uma olhada no meu vídeo A Eternidade (e mais uma noite) que este mês está concorrendo a melhor vídeo no Festival do Minuto, nas categorias Melhor Vídeo de Curitiba e Tema Livre. Se gostar, não esqueça de votar.
Clique aqui para assistir!
05/06/2009
Sozinho n. 66
O amor por entre o verde
Não é sem freqüência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de uns treze anos, o corpo elástico metido nuns blue jeans e num suéter folgadão, os cabelos puxados para trás num rabinho-de-cavalo que está sempre a balançar para todos os lados; ele, um garoto de, no máximo, dezesseis, esguio, com pastas de cabelo a lhe tombar sobre a testa e um ar de quem descobriu a fórmula da vida. Uma coisa eu lhe asseguro: eles são lindos, e ficam montados, um em frente ao outro, no corrimão da colunata, os joelhos a se tocarem, os rostos a se buscarem a todo momento para pequenos segredos, pequenos carinhos, pequenos beijos. São, na extrema juventude, a coisa mais antiga que há no parque, incluindo velhas árvores que por ali espapaçam sua verde sombra; e as momices e brincadeiras que se fazem dariam para escrever todo um tratado sobre a arqueologia do amor, pois têm uma tal ancestralidade que nunca se há de saber a quantos milênios remontam.
Eu os observo por um minuto apenas para não perturbar-lhe os jogos de mão e misteriosos brinquedos mímicos com que se entretêm, pois suspeito de que sabem de tudo o que se passa à sua volta. Às vezes, para descansar da posição, encaixam-se os pescoços e repousam os rostos um sobre o ombro do outro, como dois cavalinhos carinhosos, e eu vejo então os olhos da menina percorrerem vagarosamente as coisas em torno, numa aceitação dos homens, das coisas e da natureza, enquanto os do rapaz mantêm-se fixos, como a perscrutar desígnios. Depois voltam à posição inicial e se olham nos olhos, e ela afasta com a mão os cabelos de sobre a fronte do namorado, para vê-lo melhor, e sente-se que eles se amam e dão suspiros de cortar o coração. De repente o menino parte para uma brutalidade qualquer, torce-lhe o pulso até ela dizer-lhe o que ele quer ouvir, e ela agarra-o pelos cabelos, e termina tudo, quando não há passantes, num longo e meticuloso beijo.
Que será, pergunto-me eu em vão, dessas duas crianças que tão cedo começam a praticar os ritos do amor? Prosseguirão se amando, ou de súbito, na sua jovem incontinência, procurarão o contato de outras bocas, de outras mãos, de outras mãos, de outros ombros? Quem sabe se amanhã, quando eu chegar à janela, não verei um rapazinho moreno em lugar do louro ou uma menina com a cabeleira solta em lugar dessa com os cabelos presos?
E se prosseguirem se amando, pergunto-me novamente em vão, será que um dia se casarão e serão felizes? Quando, satisfeita a sua jovem sexualidade, se olharem nos olhos, será que correrão um para o outro e se darão um grande abraço de ternura? Ou será que se desviarão o olhar, para pensar cada um consigo mesmo que ele não era exatamente aquilo que ela pensava e ela era menos bonita ou inteligente do que ele a tinha imaginado?
É um tal milagre encontrar, nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramente amado… Esqueço o casalzinho no parque para perder-me por um momento na observação triste, mas fria, desse estranho baile de desencontros, em que freqüentemente aquela que devia ser daquele acaba por bailar com outro porque o esperado nunca chega; e este, no entanto, passou por ela sem que ela o soubesse, suas mãos sem querer se tocaram, eles olharam-se nos olhos por um instante e não se reconheceram.
E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca a tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e gostaria que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos mirando muito além das estrelas.
(Vinícius de Moraes)
31/05/2009
Sozinho n. 65
Poucos são os filmes que já demonstram desde os minutos iniciais seu caráter de obra-prima. E O Ano Passado em Marienbad é um desses. Até porque os minutos iniciais se perpetuam na tela até que esta fique preta e surja a palavra "fin".
E, como mero espectador, fui sendo sugado para dentro daqueles corredores, escadarias, salões, quartos, espelhos e o jardim... sempre o mesmo jardim geométrico, frio, distante... Parecia que estava percorrendo o interior de uma obra de Maurits Cornelis Escher.
Alain Resnais não dirige um filme, rege uma orquestra, mas sempre com uma música diferente dublando os instrumentistas, enganando a platéia.
Esse filme, irmão de "O Anjo Exterminador" de Luis Buñuel, foi o grande vencedor do Festival de Veneza em 1961. Acabou gerando aqui no blog uma reviravolta na lista dos 100 melhores filmes ao puxar para as primeiras posições, além do filme de Buñuel, também "Persona" de Bergman e "Rocco e Seus Irmãos"de Visconti.
Impecável. Imprescindível...
29/05/2009
Sozinho n. 64
E acabou-se mais um ciclo de coletâneas do projeto Masterpieces Series com o Volume 20 pronto.
Em 19 canções, seis artistas estão estreando, Body Rockers, The Gossip, N.E.R.D., The Bravery, The Hoosiers e Fleet Foxes...Garantindo uma direção aos novos rumos que virão... Além de um novo projeto gráfico, para as 10 edições seguintes.
Do volume anterior repetem a participação The Black Ghosts, Peter Bjorn and John e Elbow. As antigas ficam por conta de Duran Duran e The Cure. E entre essas e aquelas, tem de tudo um pouco...

Download:
1. Radiohead - Everything In Its Right Place
2. Tracy Thorn - Grand Canyon
3. Dido - Don't Believe In Love
4. Pet Shop Boys - Love etc.
5. MGMT - Time to Pretend
6. Body Rockers - I Like The Way You Move
7. The Gossip - Standing In the Way Of Control
8. The Black Ghosts Anyway You Choose to Give it
9. N.E.R.D. & Santogold - My Drive Thru
10. Justin Timberlake - What Goes Around Comes Around
11. Depeche Mode - Fragile Tension
12. The Bravery - Honest Mistake
13. Duran Duran - Planet Earth
14. The Cure - The Lovecats
15. The Hoosiers - Cops & Robbers
16. Peter Bjorn And John - Let's Call It Off
17. Elbow - The Fix
18. Ben Harper & Relentless7 - Faithfully Remain
19. Fleet Foxes - Your Protector
...........
Obs.: Aconselho que sejam abertos vários links de músicas em várias páginas simultaneamente, para que o download seja mais rápido (já que o tempo de espera está em torno de 60 a 90 segundos por faixa).
14/05/2009
Melhores de 2008
Confiram:
Melhor Filme

Gran Torino (Gran Torino, 2008)
Sem dúvida o trabalho mais maduro de Clint Eastwood, aprimorando o que tinha feito em "Menina de Ouro". Fiquei feliz por esse filme ter sido um sucesso de bilheteria nos EUA, mesmo tendo sido esnobado no Oscar.
Outros destaques do ano:
Slumdog Millionaire (Slumdog Millionaire, 2008)
O Curioso Caso de Banjamin Button (The Curiuous Case of Banjamin Button, 2008)
Stop Loss - A Lei da Guerra (Stop Loss, 2008)
Há Tanto Tempo que te Amo (Il y a longtemps que je t'aime, 2008)
Frost/Nixon (Frost/Nixon, 2008)
Senhores da Guerra (Tau Ming Chong, 2007)
Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky, 2008)
Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008)
Sweet Rain (Shinigami no Seido, 2007)
Melhor Diretor

Danny Boyle (Slumdog Millionaire, 2008)
Boyle que, depois de "Transpotting", caiu numa vala criativa, ressurgiu com "Slumdog" provando ter competência para dirigir grandes elencos e seu trabalho nesse filme é primoroso!
Outros diretores que impressioanram em 2008:
Pen-Ek Ratanaruang (Invisible Waves, 2006)
Walter Salles (Linha de Passe, 2008)
David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button, 2008)
Peter Chan (Senhores da Guerra, 2007)
Melhor Ator

Mickey Rourke (The Wrestler, 2008)
Mesmo que esse personagem lembre um tanto a vida errática do ator, é impossível não se render ao carismático lutador em fim de carreira vivido de maneira impecável por Rourke.
Ouras excelentes atuações que vi ano passado:
Takeshi Kaneshiro (Sweet Rain, 2008)
Frank Langella (Frost/Nixon, 2008)
Tadanobu Asano (Invisible Waves, 2006)
Richard Jenkins (The Visitor, 2007)
Melhor Atriz

Kristin Scott Thomas (Há Tanto Tempo que te Amo, 2008)
A inglesa Kristin Scott Thomas pairou acima de todas as outras atrizes ano passado por esse comovente retrato da união entre duas irmãs.
Mais atuações de destaque:
Sally Hawkins (Simplesmente Feliz, 2008)
Sandra Corveloni (Linha de Passe, 2008)
Marianne Faithfull (Irina Palm, 2007)
Do-yeon Jeon (Secret Sunshine, 2007)
Melhor Ator Coadjuvante:

Vittorio Emanuele Propizio (Meu Irmão é Filho Único, 2007)
O Jovem Vittorio rouba a cena nesse adorável filme italiano.
Outras atuações que me chamaram a atenção:
Takeshi Kaneshiro (Senhores da Guerra, 2007)
Channing Tatum (Stop Loss - A Lei da Guerra, 2008)
Dev Patel (Slumdog Millionaire, 2008)
Grégoire Leprince-Ringuet (Canções de Amor, 2007)
Melhor Atriz Coadjuvante

Kate Winslet (O Leitor, 2008)
A força motora do filme, Kate Winslet, mesmo em personagens secundários, dá sempre um show!
E quem mais brilhou:
Amy Adams (Dúvida, 2008)
Marisa Tomei (The Wrestler, 2008)
Frances McDormand (Queime Depois de Ler, 2008)
Danai Jekesai Gurira (The Visitor, 2007)
Melhor roteiro

Kimberly Peirce, Mark Richard (Stop Loss - A Lei da Guerra, 2008)
Outros roteiros de destaque em 2008 foram:
Simon Beaufoy (Slumdog Millionaire, 2008)
Mike Leigh (Simplesmente Feliz, 2008)
Eric Roth (O Curioso Caso de Benjamin Button, 2008)
Martin Hynes (The Go-Getter, 2007)
Melhor Edição

Kirk Baxter, Angus Wall (O Curioso Caso de Benjamin Button, 2008)
E também...
Matt Chesse, Richard Pearson (007 - Quantum of Solace, 2008)
Chris Blunden, Wenders Li (Senhores da Guerra, 2007)
Chris Dickens (Slumdog Millionaire, 2008)
Feller Nili (Valsa para Bahsir, 2008)
Melhor Fotografia

Christopher Doyle (Invisible Waves, 2006)
Outros fotógrafos que chamaram a atenção:
Claudio Miranda (O Curioso Caso de Benjamin Button, 2008)
Javier Aguirresarobe (Vicky Christina Barcelona, 2008)
Anthony Dod Mantle (Slumdog Millionaire, 2008)
Eigil Bryld (Na Mira do Chefe, 2008)
Melhor Direção de Arte

Pater Wong, Zhenzhou Yi (Senhores da Guerra, 2007)
Também gostei muito desses:
Kelly Curley, Randy Moore, Tom Reta (O Curioso Caso de Benjamin Button, 2008)
Mark Digby (Slumdog Millionaire, 2008)
Karen Wakefield (A Duquesa, 2008)
Teresa Carriker-Thayer, John Kasarda, Nicholas Lundy (Foi Apenas um Sonho, 2008)
Melhor Figurino

Jacqueline West (O Curioso Caso de Benjamin Button, 2008)
Outros talentos que foram destaque em 2008:
Albert Wolsky (Foi Apenas um Sonho, 2008)
Michael O'Connor (A Duquesa, 2008)
Ann Roth (Mamma Mia!, 2008)
Donna Maloney, Ann Roth (O Leitor, 2008)
Melhor Trilha Sonora Original

Kyle Eastwood, Michael Stevens (Gran Torino, 2008)
Mais trilhas que emocionaram:
Alexander Desplat (O Curioso Caso de Benjamin Button, 2008)
Kwong Wing Chan, Peter Kam, Leon Ko (Senhores da Guerra, 2007)
Jan A.P. Kaczmarek (The Visitor, 2007)
Thomas Newman (Wall-e, 2008)
Melhor Tema Original

"Gran Torino" - Clint Eastwood (Gran Torino, 2008)
Outras boas composições:
"The Wrestler - Bruce Springsteen (The Wrestler, 2008)
"Down to Earth" - Peter Gabriel (Wall-e, 2008)
"Les Yeux au Ciel" - Louis Garrel (Canções de Amor, 2008)
"Another Way to Die" - Jack White, Alicia Keys (007 - Quantum of Solace, 2008)
Melhor Efeito Visual

O Curioso Caso de Benjamin Button, 2008
Menção honrosa para:
O Dia em que a Terra Parou, 2008
Hellboy II - O Exército Dourado, 2008
Melhor World-Movie

Valsa para Bashir (Vals Im Bashir, 2008 - Israel)
Mas também gostei muito desses:
Canções de Amor (Les Chansons D'Amour, 2008 - França)
Invisible Waves (Invisible Waves, 2006 - Tailândia)
Meu Irmão é Filho Único (Mio Fratello è Figlio Unico, 2007 - Itália)
Ponyo no Penhasco a Beira Mar (Ponyo, 2008 - China)




