Quinta-feira
Sozinho
Obrigado a todos!
Márcio_LG
Sumário do blog:
Em 2007:
Sozinho n. 1 - O começo (poema: Agora)
Sozinho n. 2 - ARTMOV, em Belo Horizonte (poema: Foi ontem?)
Sozinho n. 3 - Poema: Apenas a cama
Sozinho n. 4 - Poema: Uma noite como essa
Sozinho n. 5 - Poema: Amanhã, ontem
Sozinho n. 6 - Poema: Esqueci onde guardei seu cartão
Sozinho n. 7 - Poema: Fundo
Em 2008:
Sozinho n. 8 - Poema: O pipoqueiro
Sozinho n. 9 - Como eu me comunico (ou não)
Sozinho n. 10 - Minha lista com os 100 melhores filmes que já vi...
Sozinho n. 11 - Meus vídeos / Os melhores filmes de 2007-2008
Sozinho n. 12 - Tenho assistido a muitos filmes ...
Sozinho n. 13 - Projeto Masterpieces Series ...
Sozinho n. 14 - Materpieces Series vol. 13
Sozinho n. 15 - Canal Muxtape
Sozinho n. 16 - Filmes: Mentes diabólicas e Meu irmão é filho único
Sozinho n. 17 - Muxtape fora do ar
Sozinho n. 18 - Filmes: O Sonho de Cassandra e Irina Palm
Sozinho n. 19 - Filme: Rocco e Seus Irmãos
Sozinho n. 20 - The Guess Who
Sozinho n. 21 - Filmes: In Bruges e Evening
Sozinho n. 22 - Filme: A Última Vida no Universo
Sozinho n. 23 - Filme: A felicidade não se compra
Sozinho n. 24 - Música: Donnie Darko – Trilha sonora (nada) original.
Sozinho n. 25 - Filme: O Sacrifício
Sozinho n. 26 - Letra/Vídeo: Ballad of Lucy Jordan
Sozinho n. 27 - Filme/Trailer: Canções de Amor
Sozinho n. 28 - Música: David Bowie - 25 listen in
Sozinho n. 29 - Filme: Mamma mia
Sozinho n. 30 - Letra/Vídeo: Everybody Hurts
Sozinho n. 31 - Poema: Da janela
Sozinho n. 32 - Letra: Ma Memoire Sale (Canções de Amor)
Sozinho n. 33 - Filme/Trailer: Clean
Sozinho n. 34 - Poema: Tabacaria (Fernando Pessoa)
Sozinho n. 35 - Filme/Trailer: Coisas que você pode dizer só de olhar para ela
Sozinho n. 36 - Filme/Trailer: Happy-Go-lucky
Sozinho n. 37 - Letra/Vídeo: La Distance (Canções de Amor)
Sozinho n. 38 - Letra: Alucinação (Belchior/Engenheiros)
Sozinho n. 39 - Letra/Vídeo: Mad World (Donnie Darko)
Sozinho n. 40 - "Essa raposa" (O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry)
Sozinho n. 41 - Poema: A Frederico Garcia Lorca (Hilda Hilst)
Sozinho n. 42 - Letra/Vídeo: Um jeito estúpido de ser (Maria Bethânia)
Sozinho n. 43 - A TV Digital
Sozinho n. 44 - Animações orientais
Sozinho n. 45 - Poemas: Versos íntimos/Psicologia de um vencido (Augusto dos Anjos)
Sozinho n. 46 - The Smiths
Sozinho n. 47 - Poema: Poema Líquido
Sozinho n. 48 - Filmes: Invisible Waves / The Visitor
Sozinho n. 49 - Antes que tudo se acabe
Sozinho n. 50 - Poema: Infância tardia
Em 2009:
Sozinho n. 51 - Oscar à vista
Sozinho n. 52 - Globo de Ouro e Oscar 2009
Sozinho n. 53 - E os indicados são...
Sozinho n. 54 - Filme/Trailer: Il Y A Longtemps Que Je T'Aime
Sozinho n. 55 - Filme/Trailer: A Última Vida no Universo...
Sozinho n. 56 - Kings of Leon reinam soberanos...
Sozinho n. 57 - Filme/Trailer: Viagem à Lua
Sozinho n. 58 - "Twilight" fez de mim um vampiro?
Sozinho n. 59 - Masterpieces Series - Volume 19
Sozinho n. 60 - Evgeny Kissin, Philip Glass, Miles Davis, John Coltrane e Van Morrison: deuses entre mortais
Sozinho n. 61 - Poema: Punhal
Sozinho n. 62 - Poema: Sensitiva Tocata
Sozinho n. 63 - Música/Vídeo: Only the Lonely (Roy Orbison/Chris ISaak)
Sozinho n. 64 - Masterpieces Series - Volume 20
Sozinho n. 65 - Filme: O Ano Passado em Marienbad
Sozinho n. 66 - O amor por entre o verde (Vinícius de Moraes)
Sozinho n. 67 - Concorrendo a melhor vídeo no Festival do Minuto
Sozinho n. 68 - Música/Vídeo: Três versões para Daft Punk
Sozinho n. 69 - Sozinho com Guimarães Rosa
Sozinho n. 70 - Sozinho com Mário Ferreira
Sozinho n. - Vídeo: Melhores da Semana
Sozinho n. 71 - Paranoid Park de Gus Van Sant por Bernardo Krivochein
Sozinho n. 72 - Me apaixonei num domingo, dormindo
Sozinho n. 73 - Pra que serve um blog(ger)?
Sozinho n. 74 - Mudando
Sozinho n. 75 - Masterpieces Series - Volume 21
Sozinho n. 76 - Chove sem parar por aqui...
Sozinho n. 77 - Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Sozinho n. 78 - O cinema de Marcelo Piñeyro
Sozinho n. 79 - R.E.M.
Sozinho n. 80 - Masterpieces Series - Volume 22
Sozinho n. 81 - Bram & Vlad
Sozinho n. 82 - Avatar
Sozinho n. 83 - Poema: Dia dois
Sozinho n. 84 - Porque eu gosto da minha cidade...
Sozinho n. 85 - Homem-caixa
Sozinho n. 86 - Masterpieces Series - Volume 23
Sozinho n. 87 - Poema: Sou eu (Fernando Pessoa)
Sozinho n. - Mercedes Sosa (1935 - 2009)
Sozinho n. 88 - Sozinho com o mar...
Sozinho n. 89 - Poema: Licoroso Deserto
Sozinho n. 90 - Wallpaper
Sozinho n. 91 - Lua Nova
Sozinho n. 92 - Os pássaros
Sozinho n. 93 - 10... 9... 8...
Sozinho n. 94 - Masterpieces Series volume 24
Sozinho n. 95 - O bom e velho cinema
Sozinho n. 96 - As fantásticas dimensões do IMAX
Sozinho n. 97 - O erro organizado
Sozinho n. 98 - Lua Nova (de novo)
Sozinho n. 99 - La Belle Persone
Sozinho n. 100 - Canto da estrada aberta (Walt Whitman)
Sozinho n. 101 - O que me emociona também te emociona?
Sozinho n. 102 - Feliz Natal!
Em 2010:
Sozinho n. 103 - A poesia nos filmes
Sozinho n. 104 - Letra/Video: Comme la pluie
Sozinho n. 105 - Apenas perfeito... ....
Sozinho Com Todo Mundo
e eles colocam uma mente
ali dentro e
algumas vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra a parede
e os homens bebem
demais
e ninguem acha o
escolhido
mas continuam
procurando
rastejando pra dentro e pra fora
das camas.
carne cobre
o osso e
carne procura
por mais que
carne.
não há chance
alguma:
nós estamos todos presos
por um destino
singular.
ninguem nunca encontra
o escolhido.
os esgotos da cidade enchem
os ferros-velhos enchem
os hospícios enchem
os hospitais enchem
os cemitérios enchem
nada mais
enche.
Charles Bukowski
(O amor é um cão dos diabos)
Sou eu
Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ...
Fernando Pessoa
Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Ferreira Gullar
(Na Vertigem do Dia)
Biografia do Orvalho - 11
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
Manoel de Barros
(Retrato do artista quando coisa)
(sem título)
meia lua de unha, primeiro dente-de-leite,
pentelhama de diferentes damas, foi juntando,
e amor não veio
desaprendeu do querer alguns ritos
botar a mão no fogo sem saber que queima
chorar o leite derramado sem ter se fartado
desejar jamais jamais jamais a mulher do próximo
e amor não veio
viciando os passos aos becos e embrutecendo as mãos
encomendou o desejo e pagou em muitas prestações
de noites insones, de nó na garganta, de tranquilizantes
e o amor não veio
Derivou de delírio em delírio,
corrompeu-se,
perdeu-se,
danou-se,
e o amor o desprezou como a lua solene
ao cão louco que uiva e perambula
sem um osso qualquer que lhe contente
e por fim
depois de ter vencido furioso
o lobo que lhe habitava em segredo
rendeu-se a uns afagos sem mistério
de um outro que também estava em desterro
descuidado de amar e do amor
e de toda a embriaguez que fere a carne
ergueu em suspensões de intensa altura
o espírito em chama pura libertado
Assionara Sousa
Poema de Sete Faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
(Alguma poesia)
XIX
Não tem mais lar o que mora em tudo.
Não há mais dádivas
Para o que não tem mãos.
Não há mundos nem caminhos
Para o que é maior que os caminhos
E os mundos.
Não há mais nada além de ti.
Porque te dispersaste...
Circulas em todas as vidas
Pairas sobre todas as coisas
E todos te sentem
Sentem-te como a si mesmos
E não sabem falar de ti.
Cecília Meireles
(Cânticos)
Prelúdio II
Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.
Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.
Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
Hilda Hilst
(Memória, júbilo, noviciado da paixão)
O poeta ficou cansado
Pois não quero mais ser Teu arauto.
Já que todos têm voz,
porque só eu devo tomar navios
de rota que não escolhi?
Porque não gritas, Tu mesmo,
a miraculosa trama dos teares
já que a tua voz reboe
nos quatro cantos do mundo?
Tudo progrediu na terra
e insistes em caixeiros viajantes
de porta em porta, a cavalo!
Olha aqui, cidadão,
repara, minha senhora,
neste canivete mágico:
corta, saca, fura
é um faqueiro completo!
Ó Deus,
me deixa trabalhar na cozinha,
nem vendedor nem escrivão
me dixa fazer Teu pão.
Filha, diz-me o Senhor,
eu só como palavras
Adélia Prado
(Oráculos de Maio)